Primeiramente, e particularmente: Amor líquido isenta-se da verdade, respeito e sinceridade, e por si acaba por desvalorizar a si e ao outro; o que foge do contexto do amor. Deste modo, vou me referir a Relacionamento líquido.
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Em um mundo onde estamos sendo bombardeadas por vídeos/informações sobre:
- Como fazer ele(a) se apaixonar por você;
- Como fazer ele(a) ficar louco por você;
- O que fazer; O que não fazer;
- O que dizer; O que não dizer...
- Como ser, como agir, como falar...
E assim, as pessoas vão criando uma “carcaça” e uma “falsa personalidade” a fim de criar um ser perfeito, e entrar nesses constantes jogos de conquistas já iniciando uma relação sem autenticidade. Tudo muito lindo, muito bonito até a convivência revelar e mostrar sua essência (por vezes até mais bonita do que a que criou) e a expectativa criada no início vira decepção caso o que foi apresentado diverge negativamente da realidade.
A essência e a verdade perdem o seu lugar.
É possível construir um amor assim?
O ser humano virou um objeto, num catálogo, onde a essência e a autenticidade é totalmente posta de lado e essa busca se torna uma constante procura. Onde a que se mostra disponível para um relacionamento sério é posta no freezer e parte-se para novas conquistas, pois sabe-se que aquela que está disponível já “está ganha”,
Sempre vai haver alguém mais atraente, mais bonita, mais sensual... Até o dia que vai sentir a necessidade de descansar seu coração no coração de alguém. E o que terá sobrado de si mesmo(a) depois disso tudo?
Com as mágoas... Seremos capazes de confiar em alguém novamente?
Seremos capazes de amar novamente?
Conseguiremos ser fiéis a nossa essência ou entraremos neste eterno jogo de conquistas, de pertencimento, nos anulando, anulando o outro, brincando com sentimentos (nossos e do outro), não nos permitindo (muitas vezes porque desacreditamos e/ou desconhecemos) de algo real e verdadeiro?
Por isso tantos relacionamentos líquidos, sem verdade, sem autenticidade, sem essência.
Falar o que a outra pessoa quer ouvir é fácil.
Difícil é assumir com suas próprias responsabilidades, intenções e, principalmente, difícil é assumir as próprias emoções.
Estamos numa era de amor líquido, onde os relacionamentos passaram a ser mercadorias.
O medo da rejeição... A necessidade de provar algo, seja para si ou para o outro, enfim...
O amor é construção dia a dia, mas com a “facilidade”, de um modo geral, de hoje em dia, não sobra tempo para se construir nada, numa busca incessante de satisfação do próprio ego. Hoje em dia, fácil fácil se brinca com vidas, se brinca com os sentimentos do outro, fala o que o outro precisa ouvir sem se preocupar com as consequências, pois nem todos estão dispostos a viver relações líquidas.
Alguém que opta por esse caminho não valoriza a si mesmo, tampouco valorizará quem estiver ao seu lado.
Entendamos que cada um busca seu caminho de acordo com sua trajetória, suas vivências, seus sofrimentos e suas dores, o que não o exime de suas respectivas responsabilidades para com o outro. Muitos optam por esse caminho para se esquivar de mais dores; uma autoproteção talvez, mas acabam por sofrer ainda mais e fazendo outros sofrerem também.
Como escrevi uma vez... Amar é um ato de coragem.
*****AME-SE*****
Ame-se... Essa é a 1ª regra.
Entre num relacionamento se amando.
Você é a única responsável pela sua felicidade. Não a deposite nas mãos de ninguém.
Não busque pela sua metade porque você não é um ser faltante. Você é completa!
Seja inteira e encontre alguém inteiro, que se ame também para que juntos vocês se COMPLEMENTEM. Ninguém completa ninguém!
Não entre num relacionamento dependendo de alguém, precisando de alguém. Você não a(o) precisa, pois você tem consciência de que pode muito bem caminhar com as próprias pernas. E assim, quando estiver num relacionamento, estará com a pessoa simplesmente porque escolheu amá-la.
Quando o apego sai, resta apenas a pureza e a suavidade do amor.
Mas todo relacionamento, deve-se ser baseado no respeito, sinceridade e cumplicidade.
Não se demore onde não é bem-vinda(o)!
Saiba enxergar cada ser em sua subjetividade... Ninguém ama igual ao outro.
Aprenda a enxergar além das palavras... Enxergue as ações, os comportamentos.
É preciso sim trabalhar o desapego, não ser dependente emocionalmente. SE AMAR incondicionalmente (cuidado com a linha tênue do egoísmo), para que juntos, vocês agreguem.
JAMAIS deixe sua essência de lado. Não deixe de ser quem você é! Por vezes temos que reconhecer nossos pontos a melhorar, a evoluir, mas nunca finja ser quem não é para agradar quem quer que seja. Se valorize!
Quem te amar de verdade, vai amar você por você ser exatamente quem é.
Ninguém é perfeito, e quem reconhece isso, quem reconhece as próprias imperfeições, jamais exigirá perfeição do outro e saberá dar espaço para o amor agir entre vocês.
Não exija um ser perfeito porque ninguém é perfeito. Todos nós somos falhos e cometemos erros.
Não exija um relacionamento cor de rosa, pois sempre existirá algum problema, alguma dificuldade... Mas o amor, o diálogo, a cumplicidade e a sinceridade os sustentarão em todos os momentos, pois, se forem verdadeiros um com o outro, esse já é o amor ideal.
O amor perfeito é aquele que é verdadeiro, baseado no respeito, na sinceridade, cumplicidade... Na honestidade de um para com o outro.
*****AME-SE*****
Abraços,
Fabiane Cristina Silveira